No Trem da Morte, de São Paulo à Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Como toda boa viagem, ela deve ser bem planejada, mas que na hora do vamos ver é uma correria que não acaba mais, não tem como negar. Nosso plano inicial foi ir de São Paulo à Santa Cruz de la Sierra, no trem da morte, e de lá fazer o restante do mochilão pela Bolívia até o Peru.

Nós pesquisamos bastante sobre esse roteiro, lemos alguns relatos e compramos guia, mas mesmo assim nada nos deixou preparados para correria que foi atravessar a froteira e enfrentar mais de 20 horas num vagão de trem.

Mas vamos ao resumo:

  • Saímos de São Paulo, para variar com vôo atrasado, até Campo Grande, Mato Grosso do Sul;
Aeroporto de Campo Grande
Aeroporto de Campo Grande
  • Na sequência iríamos pegar um ônibus até Corumbá, ainda Brasil, para atravessar a fronteira com calma e atenção, porém claro que o atraso do avião nos fez perder o ônibus que havíamos nos programado;
  • Mas por providência do santo dos viajantes, conseguimos pegar outro com horário bastante próximo (UFA) e chegar na cidade sem que tudo fosse perdido;
  • Em Corumbá foi aquela bagunça:
    • Pegamos um taxi até a fronteira e chegamos correndo no local da imigração
    • Felizmente a fila era pequena, tudo foi rápido e entramos na cidade de Puerto Quijarro, Bolívia
    • Pegamos um outro táxi já em terra Boliviana para a estação do trem e aqui cabe uma história engraçada. Como disse, estávamos correndo bastante, preocupados com o horário de partida do trem, então só fomos perceber a gambiarra que era o carro que estávamos, quando ele já havia partido. Os taxistas compram carros usados da Inglaterra, que tem o volante na direita para a mão inglesa, e fazem a mudança do lado do motorista “na mão”. E ainda reclamam do nosso jeitinho brasileiro... rs
Taxi em Puerto Quijarro, cidade da estação do Trem da Morte
Taxi em Puerto Quijarro, cidade da estação do Trem da Morte
  • No fim, conseguimos chegar na estação, trocar o dinheiro e comprar as passagens, para então saber que o trem iria atrasar 1 hora! 🙂

Em nosso caminho para Cusco e Machu Picchu, nós visitamos os lados Boliviano e Peruano do Lago Titicaca, não deixe de ler!




Trem da Morte

Existem várias lendas sobre o porquê desse nome, muitas delas envolvendo ditadura, gangues bolivianas e até sumiço de mochileiros, mas na verdade a linha ferroviária recebeu esse nome devido a um surto de malária, durante sua construção, que acabou matando milhares de trabalhadores. O serviço é prestado pela empresa Ferroviaria Oriental e é bastante utilizado para transporte de carga e passageiros pelo país. Então se você está com medo, não se preocupe, apesar de toda mitologia, é apenas um trem (velho e sujo, mas um trem).

Nós não compramos as passagens com antecedência, pois sabíamos do risco de perder o horário e também por que na época não havia venda on-line, mas hoje existe uma opção de fazer a compra pelo site e os valores atuais e horários estão no site oficial.

Mas vamos a nossa experiência.

Experimentando corajosamente uma saltenha no trem da morte
Experimentando corajosamente uma saltenha no trem da morte

Nossas mochilas foram em um vagão separado, era regra da companhia, então é muito importante que todos os documentos, objetos de valor e alguma comida e água estejam na sua mala de mão. Viajamos de primeira classe, que não é lá muito confortável, mas melhor do que a opção normal. E aqui você já percebe a dificuldade que o povo boliviano tem, nos vagões mais caros você praticamente só encontra turistas, a maioria europeu, enquanto os passageiros locais sobrevivem as 20h de viagem desconfortavelmente.

A viagem é até tranquila, no balançar do trem o tempo vai passando e paisagens e cidades surgem e desaparecem na janela. Os bancos são mais duros que chão de pedra (exagero… rs), mas é possível tirar uma soneca. E, claro, tivemos alguns momentos curiosos, que conto aqui:

  • O trem faz inúmeras paradas, em estações e vilarejos realmente pequenos, onde é comum entrarem vendedores vendendo suco de laranja, frutas, comidas típicas e quinquilharias locais. Em uma dessas paradas vimos um bocado de gente em volta de uma criança segurando uma caixa de sapato, claro que o maridowisk foi ver o que era: um pequeno macaco, que foi comprado por uma senhora por algo em torno de 20 reais. :-O
  • E, algumas horas depois, com o cair da noite, estava eu tentando dormir, quando ouço um barulho. Viro em direção e me deparo com dois olhos enormes brilhando no escuro e me encarando fixamente! Que medo! 🙁 Pedi “calmamente” socorro para o Edson, que acordou a mãe do macaquinho, que o acalmou e colocou de volta na caixa… hahaha… que medo dele achar que eu era uma banana gigante, vai saber. 😛
  • Outra história envolvendo o macaco, é que ao perceber que o dito estava com fome, a tia me tira os peitos pra fora e dá de mamar para ele. Sim, você leu certo! Todos os turistas do vagão ficaram em silêncio na mesma hora.

Fora esses fatos de “festa estranha com gente esquisita”, você pode se deparar com o exército local fazendo bico de segurança do vagão durante a noite ou crianças pedindo dinheiro. De qualquer maneira, andar no trem da morte é uma experiência única, tanto que não sai de nossa memória.

Com o corpo moído chegamos em Santa Cruz de la Sierra, pegamos nossas mochilas sem problemas e fomos atrás de um hotel para apenas tomar um banho, pois acabamos decidindo ir para La Paz no mesmo dia. A cidade, mesmo fazendo parte de uma das regiões mais prósperas da Bolívia, não tem muitos atrativos turísticos. Os pontos que visitamos e gostamos foram a Catedral de San Lorenzo e a Praça 24 de Septiembre. A praça tinha um grupo tocando músicas típicas e uma pequena feira de artesanato.

Momento romântico na Plaza 24 de Septiembre em Santa Cruz de la Sierra
Momento romântico na Plaza 24 de Septiembre em Santa Cruz de la Sierra

Para finalizar, comemos nosso primeiro Pollo y Papas (de muitos) da viagem e fomos para a rodoviária enfrentar as 12h de viagem congelantes até La Paz e Copacabana.

 

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Viviane N M Amorina

Nasci em São Paulo/Brasil e me formei em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP. Sempre gostei de viajar, com a vontade de conhecer mais do mundo. Hoje moro em Ettlingen na Alemanha, onde trabalho e divido meu tempo com minha filha, marido e viagens com família.

37 comentários em “No Trem da Morte, de São Paulo à Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

  • 15 de junho de 2016 em 14:39
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    Outra história envolvendo o macaco, é que ao perceber que o dito estava com fome, a tia me tira os peitos pra fora e dá de mamar para ele. Sim, você leu certo! Todos os turistas do vagão ficaram em silêncio na mesma hora.
    TO DE BOCA ABERTA ATÉ AGORA! hahahahahaha

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    • 16 de junho de 2016 em 04:40
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      E é a mais pura verdade! :-O O Jorge, amigo que estava com a gente, até pensou em tirar foto, mas era tão absurdo que pensou melhor e não tirou. rs

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  • 14 de outubro de 2016 em 15:08
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    Uau, que nome! Esses lugares sempre são cheios de teorias, né? haha. No Valle de la Muerte do Chile é a mesma coisa, a história vai passando e a gente já não sabe mais qual é verdade. Muito legal o post!

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    • 16 de outubro de 2016 em 09:20
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      Obrigado. Haha… verdade, tanta coisa maluca que já começamos a pensar que é sonho, ainda bem que existe a possibilidade de escrever. Ufa! 😀

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  • 14 de outubro de 2016 em 19:07
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    Meo Deos!!! Que aventuraaaa! Tô chorando (de rir e de nervoso) com as histórias do macaco! hahahahaha Essas viagens são as melhores! Cheias de histórias pra contar!

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  • 14 de outubro de 2016 em 20:07
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    Me senti viajando de novo pela Bolívia! <3 Pollo y papas e toda a dieta saudável daquele país lindo <3

    Como diz um amigo, Unboliavable 😉 (principalmente a parte do macaco! Jesus, que bizarro hahaha)

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    • 16 de outubro de 2016 em 09:17
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      Foi nosso primeiro mochilão e já fomos presenteados com muita história. Realmente um país maravilhos! Sdds…

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  • 15 de outubro de 2016 em 12:08
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    QUE COMO ASSIM DEU DE MAMA PRO MACACO WTFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF meodeosdoceo eu tenho pavor deles desde que tentaram me pular, imaginava acordar com um bicho do capiroto me olhando SOCORR

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  • 15 de outubro de 2016 em 17:39
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    Só o nome já dá um medo, ahaha, eu acabei desistindo de pegar esse trem e voamos direto de São Paulo a Santa Cruz, mas acho que a viagem de ônibus Santa Cruz a La Paz foi bem parecida, paradas a cada cidade, galinhas e cada coisa estranha, hahaha, essa do macaco aí eu fiquei de boca aberta 😀
    A Bolívia é uma aventura por si só!

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    • 16 de outubro de 2016 em 09:15
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      A gente quis fazer a viagem bem roots 🙂 Nossa… a viagem até La Paz foi desesperadora, muito muito frio e a gente pegou o lugar mais barato, aquele que vai em cima do motorista bem na fretona. Congelamos.

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  • 15 de outubro de 2016 em 18:09
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    Que aventura, hein? Nós bem que gostamos disso, rs. Andar de trem é um programa que nos atrai. Sobre essa história de “o trem faz inúmeras paradas, em estações e vilarejos realmente pequenos, onde é comum entrarem vendedores”, me lembrei de quando andamos de trem no interior da Rússia. A cada parada entravam uns 20 vendedores, todos gritando em russo e vendendo alguma coisa que a gente definitivamente não entendeu, rs. Uma grande experiência 😉 Abraços, Cristina e Renato

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    • 16 de outubro de 2016 em 09:14
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      O mais interessante é você ver algo que você nunca compraria sendo comprado por um monte de gente. O choque cultural é muito grande, mas experiência é maravilhosa.

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  • 16 de outubro de 2016 em 15:53
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    Gente, que aventura!! Confesso que me deu vontade de pegar esse trem da morte! mas nossa, 20h é demais!!

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  • 17 de outubro de 2016 em 15:38
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    Tenho muita vontade de fazer esta trip, pela lendária linha do “trem da morte”, mais pela mistica de ser um roteiro emblemático no nosso continente.

    Adorei a experiência e tive que rir no final com “nosso primeiro Pollo y Papas (de muitos)” Bem Bolívia mesmo! rsrsrs

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    • 20 de outubro de 2016 em 08:47
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      Foi nosso primeiro mochilão e não poderíamos ter começado melhor. E sim, foi muita batata com frango barato e (não muito) saudável. 😛

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      • 25 de setembro de 2017 em 09:46
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        Quanto pagaram mais ou menos pela viagem até santa cruz

      • 26 de setembro de 2017 em 03:27
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        Olá Dedeon, tudo bem? No texto tem o link para o site oficial do trem, com os preços atualizados da passagem. Grande Abraço, Edson

  • 26 de outubro de 2016 em 19:30
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    Quero fazer essa viagem em dezembro.
    Alguém pode me dizer se realmente precisa de passaporte ou só o RG serve?

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  • 24 de Abril de 2017 em 11:18
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    É tranquilo uma mulher viajar sozinha neste trem, mesmo que em primeira classe?

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  • 21 de junho de 2017 em 17:49
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    Olá, boa tarde!!
    Estarei indo pra Bolívia/Chile/Peru em setembro/outubro via trem da morte. É vantajoso comprar boliviano em Puerto Quijarro ou somente o necessário?

    Abraços

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    • 22 de junho de 2017 em 03:50
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      Oi Tiago, nós compramos Bolivianos sempre o necessário em cada cidade que fomos, com uma pequena reserva. Faz uma previsão do quanto você vai gastar em cada cidade, o que vai pagar com cartão e dinheiro, e troca o que precisa apenas ter em mãos.

      E tome cuidado com o que estiver carregando, todo lugar tem batedores de carteira…

      Abraço

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    • 7 de julho de 2017 em 10:22
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      A troca em Quijarro não muito boa, melhor em Santa Cruz, mais dólar recebe em qualquer lugar. Leve trocado.

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  • 7 de julho de 2017 em 10:26
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    Aquele beijo romântico não é na praça 24 de septiembre, é no Parque El Arenal.
    De Santa Cruz vocês podem visitar as Ruinas de Samaipata e as Misiones Jesuitas.

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  • 4 de agosto de 2017 em 22:25
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    Gostaria de saber se alguém conhece uma companhia de ônibus que faz viagem para Corumbá, para posteriormente eu entrar para a trip do trem da morte…

    Até agora só achei passagens diretas para Santa Cruz

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  • 4 de outubro de 2017 em 19:48
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    Algumas décadas atrás, estava assistindo ao programa Fantástico, da Globo, e numa das reportagens exibidas, era sobre o “trem da morte” e no final daquela matéria, foi informado que faltavam poucos dias para finalizar, encerrar a viagem, do trecho brasileiro entre São Paulo e Corumbá. Em seguida, perguntei para a minha mãe: vai encarar? E para a minha surpresa, a minha mãe falou que toparia aquela viagem. Pronto. Algumas horas depois estávamos na Estação da Luz, em São Paulo, para iniciarmos a primeira etapa da viagem. E lamentavelmente, por questão de minutos, perdemos o trem de São Paulo até a cidade de Bauru. E sem chances para desanimo. Em seguida, corremos para Estação Rodoviária Terminal Tietê. O próximo ônibus para Bauru iria ocorrer algumas horas depois. Acabamos ficando pelo terminal. ( apesar da minha residência encontrar-se a algumas quadras do Terminal Tietê). No horário previsto embarcamos para Bauru. E rezando para não ocorrer nenhum tipo de atraso. Após desembarcarmos, procuramos um táxi e direto para a estação ferroviária. Faltavam apenas alguns minutos para o inicio da viagem. Não esqueço, a partida prevista para as 17 horas. E no horário previsto o inicio da segunda etapa da viagem. O trem que ligava Bauru até Corumbá não oferecia quase que nenhum tipo de conforto. E desnecessário dizer que o trem também atrasou. Chegamos em Corumbá por volta das 19 horas, ou seja, mais de 24 horas naquele trem. Se contar o tempo, desde que saímos de casa, quase que 36 horas de viagem. Ficamos em Corumbá, 1 ou 2 dias. ( depois de vários anos não consigo lembrar mais detalhadamente ) A intenção, óbvia, era completar a terceira etapa, seguir viagem até Santa Cruz. Mas…creio que não estávamos tão preparados para aquela viagem. Acabamos desistindo. Na volta, outra viagem de trem. Mas estávamos tão cansados, que abandonamos o trem quando chegou na cidade de Campo Grande MS e o restante da viagem fizemos de ônibus até São Paulo. Atualmente não possuo mais esse espírito de aventuras. ( prefiro ler e assistir os relatos na internet e também assistir as reportagens exibidas nos vários programas de TV dedicados ao turismo rsrsrsrs ) É isso.

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    • 5 de outubro de 2017 em 15:34
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      Oi Gilson, que história maravilhosa! Fico muito feliz de você ter compartilhado com a gente, mesmo. 🙂 Uma pena que o Brasil não investiu mais em viagens de trem de longa distância, né? Um grande abraço, Edson

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    • 2 de Janeiro de 2018 em 07:19
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      Infelizmente o trecho da linha do trem no Brasil não existe mais, para você pegar o trem, precisa ir para Corumbá de carro, onibus ou avião.

      Resposta

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